domingo, 22 de novembro de 2009

A Liberdade



Os animais não têm liberdade, porque o instinto é uma espécie de programação biológica que os faz agir sempre da mesma forma. Mas o homem pode refletir e mudar o próprio comportamento. A razão da liberdade da pessoa é sua inteligência e racionalidade. A liberdade humana consiste no agir guiado pela inteligência, para o bem das pessoas e demais seres vivos.

Liberdade é a capacidade de o indivíduo agir para o bem comum por livre escolha. Ele determina aquilo que quer ser e escolhe o cami­nho para alcançar seu ideal: a inteligência ilumina a decisão, a vonta­de executa o que foi decidido. No entanto há muitas limitações para a liberdade, de ordem física, econômica, psicológica e social.

A verdadeira liberdade possibilita ao homem desapegar-se de muitas coisas para ser senhor de si, escolher o caminho do bem e se­guir por ele.

O homem nasce dependente e aprende a ser livre. A liberdade pessoal é aprendizado e conquista ao mesmo tempo. Ao nascer, o homem é ser incompleto; deve aprender quase tudo. Seu potencial de aprendizado é quase infi­nito. Precisa, portanto, aprender a dirigir-se pela vontade e dominar-se pela razão para chegar aonde pretende. Do contrário, ficará submetido aos instintos do corpo e aos impulsos afetivos. Para viver intensamente precisa aprender a usar plenamente sua liberdade, escolher a direção de sua vida e manter esta direção, sobre­tudo nos momentos de dificuldades ou de crises. Em resumo, o homem tem liberdade, mas deve buscá-la sempre, porque, facilmente, se deixa condicionar pelas facilidades, por situações difíceis ou pelo que as demais pessoas dizem.

A liberdade é qualidade essencial da pessoa humana. Há os que pensam que são livres, quando desobedecem à ordem social e seguem os impulsos, quando fazem tudo o que querem. Isto não é liberdade, mas libertinagem. Quando uma pessoa não sabe fazer uso da própria liberdade, a so­ciedade lhe impõe sanções, normalmente limitando-lhe ou tirando-lhe a liberdade (com a prisão, por exemplo). Roubos, assassinatos, assaltos, seqüestros são sinais de que há abuso da liberdade e em muitos casos constatam-se deficiências na educação das pessoas, que não sa­bem se imporem os limites que a convivência social exige. O critério para o uso da própria liberdade, como ponto de referência, não é a pessoa que usa a liberdade, mas as demais pessoas, que sofrem as conseqüências dos atos que essa pessoa pratica. A liber­dade da pessoa é controlada pelos direitos das demais. O meu direito termina quando o da outra pessoa começa. Mas, se por um lado, os outros limitam nossa liberdade, por outro nos ajudam em nossa reali­zação pessoal.

Liberdade e responsabilidade andam juntas, são conquistas psico­lógicas e aprendizado social. Quando os adultos cobram coerência nas atitudes de uma criança, ensinam-lhes o que significa ser livre e respon­sável. Liberdade e responsabilidade determinam a qualidade de vida das pessoas e da sociedade. Ter liberdade é condição para haver responsabilidade, isto é, para responder, diante das demais pessoas e, sobre tudo, diante de Deus, pelos possíveis prejuízos que se lhes causa. Responsável é a pessoa que assume as conseqüências de suas atitudes, de suas opções e escolhas. Ser res­ponsável é responder pelos próprios atos, sejam eles condicionados ou não.

Paulo declara que:

“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão”. (Gl 5.1 - RA).

A nossa liberdade em Cristo não nos dá o direito
de fazer o que queremos, mas o que devemos.
(Pr. Levi)