sábado, 15 de janeiro de 2011

Crer também é biológico

Quando me perguntam por que é que sou crente, a minha primeira resposta é porque fui educado na fé e porque as minhas próprias investigações me levaram a aceitar como verdadeiro aquilo que meus pais e educadores me ensinaram. Há muito que entendo que o homem crê porque pensa e que é tão natural ao homem pensar como crer. Começo também a admitir que o homem é crente porque a própria biologia o leva a ser.

A Neurobiologia têm desenvolvido um ramo do conhecimento muito interessante a que se dá o nome de Bioteologia ou Neuroteologia.

A Neuroteologia dedica-se a analisar as relações entre a actividade espiritual e religiosa e a actividade cerebral. E vem concluindo que algumas partes do cérebro só entram em actividade quando o homem reza ou faz meditação profunda.

Tais dados científicos levantam, naturalmente, perguntas importantes: são essas zonas cerebrais que levam o homem a ser religioso ou foi o sentimento religioso que levou ao desenvolvimento dessas zonas cerebrais?

Por outro lado, sabendo que a evolução tende a eliminar o que, no corpo, é inútil e acessório, por que razão manteve no cérebro uma zona específica para a religião?

Existe consenso generalizado entre os cientistas sobre o bem que a religião faz à saúde. Recentemente, o ateu Stephen L. Hauser, presidente do Comité de Bioética do presidente Barack Obama, em entrevista ao jornal espanhol La Guardia, acentuava a importância da prática religiosa para se viver com optimismo. O optimismo produz endomorfinas que fortificam o sistema imunológico e diminuem a percepção da dor, levando, pois, a uma qualidade de vida muito melhor. Daqui se deduz que o corpo humano está estruturalmente preparado para a experiência religiosa e que a religião, ao mesmo tempo, traz benefícios ao homem e à vida em sociedade.

A Organização Mundial de Saúde advertiu que o século XXI será dominado pelas doenças mentais. Convém perguntar, ao menos, se tal fenómeno não terá relação com o ambiente de hostilidade, sobretudo no Ocidente, para com a fé religiosa. Não estará o homem a dar cabo de si próprio, mesmo biologicamente falando, quando abandona a fé em Deus?
Diario do minho
Via Crer é pensar