quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Mitos e verdades sobre o "derrame cerebral"

• Não há como prevenir o AVC, também conhecido como “derrame cerebral”.
Mito.

Quando uma pessoa está tendo um derrame cerebral, um vaso sanguíneo do cérebro está sendo obstruído ou rompido naquele momento, e uma parte do cérebro está por ser destruída. O AVC (sigla para Acidente Vascular Cerebral) é mais comum entre as pessoas que têm hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, doenças do coração e nos sedentários, que fumam e usam muito álcool. Calcula-se que o indivíduo que identifica e trata um desses fatores de risco reduz seu risco de AVC pela metade. Mais importante ainda é o fato que esse mesmo indivíduo que adota hábitos de vida saudáveis é capaz de influenciar as pessoas ao seu redor a assumirem também esses bons hábitos. Saúde é mesmo contagiante!

• O “derrame cerebral” está se tornando menos comum.
Verdade, mas só nos países ricos.

Nas últimas quatro décadas (1970-2008), a incidência de “derrame cerebral” diminuiu em 42% em países ricos e aumentou mais de 100% em países de baixa e média renda, sendo que o Brasil se encaixa nesse último caso. Na última década, a incidência de “derrame cerebral” em países de baixa e média renda ultrapassou pela primeira vez a dos países ricos (20% maior).

A cidade de Joinville (SC) não acompanha essa tendência dos países de baixa e média renda. Num intervalo de onze anos (1995-2006) houve uma redução relativa de um terço na incidência e mortalidade por “derrame cerebral” e na sua taxa de fatalidade. A redução da incidência de derrame cerebral sugere que a população recebeu mais assistência primária e melhores ações preventivas: controle de pressão alta, diabetes, colesterol, redução do tabagismo, etc. A redução da incidência na mortalidade reflete, em parte, um melhor atendimento em nível hospitalar. Os indicadores demonstrados são comparáveis aos de países ricos.

• “Derrame cerebral” é coisa só de gente velha.
Mito.

O problema é mais comum entre os idosos, mas acontece também entre os jovens, muitas vezes por malformações congênitas dos vasos sanguíneos do cérebro, problemas da coagulação, doenças do coração e por consumo de sustâncias como cigarro, cocaína e crack.

• Todo tipo de pílula anticoncepcional ou reposição hormonal aumenta o risco de derrame cerebral entre as mulheres?
Mito.

No caso da pílula anticoncepcional, as sem hormônio estradiol podem ser vistas como seguras mesmo para as mulheres que já têm uma predisposição para eventos vasculares, como é o caso da enxaqueca com aura, enxaqueca em que a dor é precedida ou acompanhada de sintomas neurológicos como flashes na visão ou alteração da sensibilidade de um lado do corpo. Já na reposição hormonal para alívio dos sintomas da menopausa, o uso prolongado desse tipo de tratamento, além de não proteger a mulher da doença coronariana, aumenta o risco de derrame cerebral, trombose nas veias e câncer de mama. Há evidências também de que não há aumento do risco de derrame cerebral quando a dose do hormônio estradiol é baixa e quando usado sob a forma de adesivos na pele.

• Medicações para controlar o colesterol diminuem o risco de “derrame cerebral” mesmo para quem tem o colesterol normal?
Em parte é verdade.

O atual corpo de evidências aponta que indivíduos que apresentam fatores de risco vascular, como o diabetes e a hipertensão arterial, podem se beneficiar do uso das estatinas como prevenção de “derrame cerebral”, especialmente aqueles com mais de 65 anos de idade. E esse benefício existe mesmo que o indivíduo não tenha problemas com seus níveis de colesterol.

• A erva ginkgo biloba ajuda a prevenir o “derrame cerebral”.
Mito.

São mais de duas décadas de estudos clínicos com resultados que não justificam o uso de ginkgo biloba para prevenção de “derrame cerebral” ou da doença de Alzheimer. Há estudos em que o uso da erva já foi até associado a um maior risco de “derrame cerebral”.

• Ter uma visão otimista da vida protege-nos do “derrame cerebral”.
Verdade.

Uma expectativa negativa do futuro pode influenciar a saúde por meio de mudanças nos hábitos de vida, mas também por fatores biológicos, como alterações na atividade do sistema nervoso autônomo.

• Comer peixe ajuda a prevenir o “derrame cerebral”.
Verdade.

O consumo de peixe reduz, sim, o risco de “derrame cerebral”. O importante é que esse efeito protetor deixa de existir quando o peixe é frito.

• O consumo de café faz mal à saúde e pode até aumentar o risco de “derrame cerebral”?
Mito.

O consumo de café está associado a menores índices de mortalidade, especialmente pela redução de infarto do coração e “derrame cerebral”. Quatro a cinco xícaras por dia trazem mais benefícios que consumos menores.

• Comer frutas e verduras todos os dias reduz o risco de “derrame cerebral”.
Verdade.

O hábito de comer cinco porções de frutas e verduras por dia traz benefícios inequívocos à saúde dos vasos sanguíneos, com redução expressiva dos riscos de infarto do coração e “derrame cerebral”. Essa é a atual recomendação da Associação Americana do Coração.

• Uma dose de álcool por dia reduz o risco de “derrame cerebral”.
Verdade.

Nos últimos anos, uma série de estudos tem demonstrado que o consumo moderado de álcool reduz o risco de doenças cardiovasculares, incluindo o infarto do coração e o “derrame cerebral”. Isso significa que quem bebe pouco tem menos eventos cardiovasculares do que aqueles que não bebem. Entretanto, o consumo exagerado traz mais risco. Devemos entender consumo moderado como até duas doses de bebida por dia para homens e uma dose para mulheres. As pesquisas ainda apontam que esse efeito protetor do consumo diário e moderado deixa de existir quando a pessoa exagera na dose mesmo que seja por apenas um dia no mês.

Mesmo com essas evidências, não é recomendável que indivíduos que não bebem comecem a beber. Entretanto, aqueles que já têm o hábito de beber devem beber moderadamente e de preferência vinho tinto.

• Praticar exercícios físicos e manter o peso em dia são atitudes que nos protegem das doenças do coração, mas não do “derrame cerebral”.
Mito.

Atividade física regular associada ao hábito de não fumar e uma dieta inteligente é capaz de reduzir pela metade o risco de “derrame cerebral”. Não é pouca coisa, não.

Fonte: O que eu tenho?
Via:  guiame