terça-feira, 31 de maio de 2011

A divisão "tradicionais" e "pentecostais" ainda faz sentido?

Por Gutierres Siqueira

Estava visitando uma Igreja Batista tradicional onde minha tia congregava. Ao sair do templo um jovem daquela igreja perguntou para mim: "Olha, qual é a principal característica de uma igreja pentecostal?" E eu respondi: "Certamente a crença que os dons espirituais são uma realidade para a igreja contemporânea!" E ele então falou: "Então a minha igreja é pentecostal"! Esse diálogo aconteceu há seis anos, mas no decorrer desse tempo fiquei pensando sobre essa divisão do protestantismo entre "tradicionais" e "carismáticos" ou entre "históricos" e "pentecostais". A divisão não faz mais sentido se você olhar o protestantismo como um todo!

Wayne Grudem escreveu um dos melhores livros sobre o exercício da profecia na igreja contemporânea. Quem é Grudem? Um teólogo ligado à Convenção Batista do Sul, uma das organizações mais tradicionais da igreja norte-americana. Um dos seminários mais influentes entre os evangélicos do mundo é o Regent College, no Canadá, que tem como professores eméritos os teólogos James Packer, Eugene Peterson e Gordon Fee, um pastor das Assembleias de Deus especialista em Novo Testamento. E o chamado Novo Calvinismo? Nomes como John Piper, Mark Driscoll e C. J. Mahaney já afirmaram sua crença na contemporaneidade dos dons.

E no Brasil? A Igreja Presbiteriana Independente (IPI) aceita oficialmente os dons espirituais como realidade presente. A Diocese de Recife, braço evangelical da Igreja Anglicana no Brasil, tem a mesma posição dos presbiterianos independentes. Os novos calvinistas daqui também são abertos nessa questão como os norte-americanos. Atenção: Não são igrejas que passaram pelo processo da “renovação” como Metodista do Brasil (Metodista Wesleyana), Batista da Convenção (Batista Nacional), Presbiteriana do Brasil (Presbiteriana Renovada) etc. Mas sim, são igrejas que continuam “tradicionais” com a crença na contemporaneidade dos dons.

Essa tendência parece sólida e cada vez mais abrangente. Cada vez mais a divisão pentecostais e tradicionais será irrelevante. Isso também passa pelo processo de formação dos pentecostais, que cada vez mais estão interessados no estudo teológico reformado. É o que o sociólogo peruano Bernardo Campos chama de “historização” das igrejas pentecostais e a “pentecostalização” das igrejas históricas.    

Fonte: Teologia Pentecostal