sábado, 13 de agosto de 2011

Paulo, um exemplo de expositor das Escrituras


Por Silas Daniel
Uma das características marcantes do ministério de Paulo era o seu método de pregação e ensino das Sagradas Escrituras, e quatro pontos nos chamam atenção em relação a esse método
O apóstolo Paulo é, sem dúvida, um dos maiores nomes da história da Igreja. Foi ele um dos grandes instrumentos usados por Deus na expansão da mensagem do Evangelho no primeiro século da Era Cristã e também o primeiro sistematizador das Doutrinas Cristãs (consciente ou inconscientemente) por meio da exposição das mesmas em suas epístolas.

Paulo recebera um chamado de Deus para pregar o Evangelho entre os gentios (At 13.47) e foi fiel a esse chamado (At 26.19). Aliás, é notável o cuidado que o apóstolo tinha em relação às igrejas sob sua responsabilidade e à Igreja em especial. Esse cuidado era manifesto por meio de:

1) Suas admoestações (At 20.31);

2) Sua emocionada preocupação (2Co 11.28);

3) Seu combate a dissensões nas igrejas (2Co 12.20);

4) Seu incansável trabalho realizado sob a luz de um inamovível propósito (Gl 4.11);

5) E sua intercessão constante em favor das igrejas (1Ts 3.10).

Uma das características marcantes do ministério de Paulo era o seu método de pregação e ensino das Sagradas Escrituras, e quatro pontos nos chamam atenção em relação a esse método. Se não, vejamos.

Em primeiro lugar, seu ensino era corroborado pelo seu exemplo. Não poucas vezes, o apóstolo Paulo, em suas epístolas, evoca o seu exemplo para corroborar algum ensino que ministrava à igreja (At 20.35; 1Co 4.16; 11.1; Fp 3.17; 4.9; 2Tm 1.13). Quando Paulo aconselhou Timóteo a como ter um ministério reconhecido, destacou a importância do exemplo (1Tm 4.12,15). O apóstolo dos gentios enfatizou que o jovem pastor de Éfeso deveria ter dois grandes cuidados para ter um ministério bem-sucedido: cuidado com a doutrina e com sua vida, com seu exemplo (1Tm 4.16).

Em segundo lugar, a pregação de Paulo não consistia em mera eloqüência humana, mas em demonstração do Espírito e de poder (1Co 2.1-5)

Em terceiro lugar, Paulo contextualizava sua mensagem saudavelmente (At 19).

Paulo nunca foi adepto de discursos filosóficos burilados e prolixos (1Co 2.1-5). No entanto, ao chegar em Atenas, encontrou filósofos epicureus e estóicos que pouco se importavam com sua mensagem simples. Eles “contendiam com ele, havendo quem perguntasse: Que quer dizer esse tagarela? E outros: Parece pregador de estranhos deuses, pois pregava a Jesus e a ressurreição” (At 17.18).

Os epicureus eram discípulos de Epicuro (341-270 a.C.), fundador da filosofia ética que faz do prazer o ideal da vida. Os estóicos eram seguidores de Zeno (340-265 a.C.), que ensinou que nosso ideal de vida deve ser a conformação com a natureza, que tem como maior expressão o logos, a razão. Estes eram panteístas.

Em determinado momento, aqueles filósofos acharam por bem levar Paulo ao areópago para ouvir seu ensino. O motivo? Entre o povo de Atenas e os estrangeiros residentes, a mensagem do apóstolo dos gentios encontrara guarida (At 17.21). Admirados com a popularidade que ganhava sua mensagem, resolveram finalmente ouvi-lo.

No aerópago, Paulo não mudou o conteúdo de seu discurso. Só o estilo. Ele pregou de novo a Jesus e a ressurreição (At 17.31), os mesmos temas de sua pregação ao povo (At 17.18), mas, agora, o estilo do discurso era diferente. Ele contextualiza a mensagem simples do Evangelho àquele meio, para que fosse ouvido e compreendido.

Note que Paulo não faz concessões quanto ao conteúdo da mensagem. Ele não procura negociar princípios para ser ouvido. Apenas usa códigos comuns aos filósofos para "decodificar" a mensagem divina para eles. Pegando como "gancho" o altar “Ao Deus desconhecido” (17.22-26), partiu da crença num ser superior e divino, que criou todo o mundo (os atenienses eram muito religiosos e não teriam dificuldades para entender isso), e usou em seguida a expressão “tateando” (17.27) para referir-se à busca do homem por Deus (Platão tornara essa expressão célebre ao usá-la para referir-se às melhores opiniões sobre a verdade). Por fim, Paulo citou textos dos poetas gregos Epimênedes, Arato e possivelmente Cleanthes (17.28), para finalmente chegar em Cristo. Paulo é, sem dúvida, um dos maiores exemplos bíblicos de contextualização sadia.

Em quarto lugar, e não menos importante (muito ao contrário!), Paulo estudava constantemente a Palavra e era guiado pelo Espírito na sua ministração

Escrevendo as efésios, o apóstolo Paulo afirma que a Palavra de Deus é a “Espada do Espírito” (Ef 6.17). Isso significa dizer que ela faz parte da armadura espiritual do cristão, mas, para sabermos usá-la de forma correta nos embates espirituais e no nosso crescimento espiritual, precisamos do auxílio indispensável do Espírito Santo, o Dono da Espada, o Senhor da Palavra, para podermos manejá-la bem.

Quando buscamos ao Senhor da Palavra orientação e graça para estudá-la e pregá-la, constatamos o poder e a eficácia da Palavra, como ressaltada pelo escritor da Epístola aos Hebreus (Hb 4.12,13). É verdade que a Palavra de Deus, em si, já detém poder; sua mensagem já é poderosa independente do comprometimento de quem a anuncia com o Dono da Palavra, porque apesar de Deus só ter compromisso com aquele que tem compromisso com Ele, Deus tem compromisso irrestrito com a Sua Palavra; logo, como vaticinou o profeta, a Palavra do Senhor não volta vazia. Porém, quando quem anuncia a Palavra tem compromisso com o Deus da Palavra, então os resultados são ainda mais poderosos.

A Bíblia é a Espada do Espírito, mas uma espada só será eficiente se for corretamente manejada.
Fonte: CPADNews