segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Intelectualidade versus espiritualidade



Por Rev. Mauro Sergio Aiello.

Onde é que a intelectualidade se relaciona com a espiritualidade? Há relação de dependência entre intelectualidade e espiritualidade? A intelectualidade é imprescindível para o desenvolvimento da espiritualidade?

Intelectualidade é a propriedade de todo aquele que povoa sua mente com conhecimentos variados, por meio da academia ou de forma autodidata. Espiritualidade é a propriedade de todo aquele que desenvolve e dilata o espírito. O cristão entende que espiritualidade é proximidade com Deus pelo relacionamento através de Jesus Cristo e pela iluminação do Espírito Santo. A questão que abordamos aqui é: até onde pode a intelectualidade auxiliar nesse processo de desenvolvimento e dilatação espiritual?

Meu questionamento se justifica já que vivemos tempos nos quais se valoriza mais os indivíduos pelos títulos que possuem. Outro dia em uma cerimônia de colação de grau, quando o Pastor teve a oportunidade de falar, ele foi apresentado como Reverendo Mestre fulano de tal. Por que não apenas Reverendo, ou mesmo, como eu prefiro, Pastor fulano de tal já que sua função é a de Capelania?

Na Bíblia encontramos homens simples, como Pedro, João, Amós, Marcos, que foram espirituais tanto quanto foram espirituais homens como Paulo, Isaías, Moisés que revelaram bom nível de intelectualidade. Paulo, por exemplo, foi considerado uma das mentes mais brilhantes da história da humanidade.

É óbvio que não advogamos a ignorância como fonte de espiritualidade, mas também não acreditamos que a intelectualidade possa nos fazer mais espirituais. A espiritualidade, para o cristão, está atrelada à santidade e não à intelectualidade. Quanto mais nos santificamos, mais espirituais nos tornamos, sejamos cultos ou incultos. Nessa minha trajetória de vida, na verdade, tenho encontrado homens que, por sua intelectualidade notória se deixaram possuir pelo orgulho e até mesmo pelo culto à personalidade que lhe prestam seus admiradores. Também encontrei pessoas com bom nível de instrução e que foram exemplos de vida piedosa por sua espiritualidade inconteste, assim como vi gente inundada no orgulho, apesar de seus parcos recursos intelectuais.

Paulo instrui os irmãos de Éfeso a que se encham do Espírito Santo (Efésios 5.18; 6.1-9) para poderem viver em todos os níveis, (esposo/esposa, filhos/pais, pais/filhos, empregadores/empregados e vice versa) de forma harmoniosa como conseqüência dessa plenitude. A vantagem nisso é que ela independe da nossa intelectualidade e, se porventura ela existir, a espiritualidade coloca o indivíduo em um nível de humildade mais do que aceitável.

Talvez fosse adequado assimilar mais conhecimentos e menos pecado, assim teríamos uma espiritualidade na qual a intelectualidade lhe seria servil. Intelectualidade sem compromisso de santidade pode desviar o foco e nos fazer deuses de nós mesmos e isso é terrivelmente letal. Espiritualidade sem intelectualidade por nos fazer simplórios e superficiais no momento da argumentação e aprofundamento no debate sobre a fé evangélica.

Concluímos esse nosso ensaio sobre o tema Intelectualidade X Espiritualidade, reafirmando o princípio de que o saber não ocupa espaço desde que a espiritualidade seja o alicerce sob o qual essa intelectualidade repouse. Não devemos julgar o livro pela capa, assim não devemos concluir espiritualidade de ninguém por conta dos títulos que possui. Teologia é instrução para o intelecto, mas se essa instrução não produzir vida piedosa ela se torna tão vã quanto a formosura que o tempo transforma em rugas.

É maravilhoso contemplar pessoas que alcançaram alto nível de intelectualidade, mas não desprezaram a conversa diária com Deus através da oração, a leitura e meditação na Palavra de Deus e o exercício da verdadeira humildade. Que Deus nos faça espirituais nos enchendo do Seu Espírito e que nossa intelectualidade não apague o mesmo.