quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Humanos escravos de si mesmos vivem como cordeirinhos em um MATRIX


Esse texto pode chocar... mas é para refletir. 

Por Cleo Rolim

Humanos escravos de si mesmos vivem como cordeirinhos a seguir a moda, a mídia e as tradições. Chegou DEZEMBRO, é tempo de todo mundo ficar bonzinho. Pensar em Jesus e nos outros, fazer caridade para satisfazer seu próprio ego que necessita de sentir-se bem por ajudar quem precisa. 

Passou dezembro e todo mundo esquece do tal "espírito de natal". 

JANEIRO: tempo de pensar nas férias com as crianças e também das crianças e reservar dinheiro para material escolar. Sem esquecer dos impostos: IPTU, IPVA. E lá vão os homens a apertar o cinto porque gastaram demais no natal tentando ser bonzinho e comendo e bebendo e participando de tudo que é confraternização, para iludir-se que não são sozinhos e que têm muitos amigos.

E chega FEVEREIRO, é tempo de carnaval, agora é estocar cerveja e carne pra fazer churrasco porque a casa vai encher de amigos, comprar abadás, ir pro Rio, Salvador, Recife ou... ver tudo de sua TV (a velha caixa hipnotizadora que ajuda o tempo a passar e não deixa que pensem muito sobre sua vida inútil.

Mas aí vem boa notícia, depois de tanta folia, onde já esbanjou-se tudo o que tinha e o que não tinha, que beberam todas e mais algumas, que beijaram tantos que nem se lembram, e que fizeram sexo a torto e a direita (na ilusão de não estarem sozinhos), é tempo de quaresma que tem início na quarta-feira de cinzas e todo mundo tem que colocar cinza na cabeça pra simbolizar que se arrependeu. Agora de novo é tempo de pensar em Jesus, e se arrepender e fazer o "enorme sacrifício" de comer só peixe, mariscos e frutos do mar e, de vez m quando, fazer um jejunzinho para aplacar a consciência. É o mês de MARÇO.

ABRIL: a PÁSCOA chega! Lá vai todo mundo comprar ovos de chocolate para si, para os amigos, para os chefes, e as fábricas de chocolate agradecem com tanta gente sendo boazinha de novo e lembrando uns dos outros. É tempo de fazer teatrinho pra encenar a chegada de Jesus em Jerusalém, arranjam um jumentinho e o sacerdote da paróquia vai montado passando por tapetes artesanais de folhas, flores, sementes e serragens. Pobres palmeiras, ficarão peladas porque todo mundo vai querer arrancar folhas para o Domingo de Ramos. Ah, mas é importante também lembrar do sacrifício de Jesus, por isso, mais jejum e penitência, e na sexta-feira santa ir a igreja seguir o cortejo fúnebre de uma estátua, não antes de se esbanjar na ceia da tal sexta santa, que é de uma fartura tamanha que nem combina com o tempo de sacrifício. Nesse dia, algumas casas não ligam o rádio, não ouvem música, nem TV, porque precisam estar tristes e é pecado ficar alegres porque Jesus morreu.

Mas o tempo de tristeza termina logo, chegou sábado. Ah êêêh!!! Vamos malhar o Judas. E a meninada agradece por inventarem esse dia, assim todos descontam no boneco de pano pendurado em um poste, ou estaca, a raiva contida ao longo do ano (de qualquer coisa e de qualquer um). 

Domingo chega, Ressurreição! As igrejas lotam. Todo mundo com cara de bonzinho vai assistir missa ou cultos. AGORA É TEMPO DE FICAR ALEGRES PORQUE JESUS RESSUSCITOU.

Depois, a rotina continua e tudo volta ao normal, esquecem de ser bonzinhos e vão viver seus papeis impostos pela sociedade capitalista e consumista. Não esquecendo do Leão que a essa altura está faminto para comer daquilo que se ganhou ao longo do ano.

E então chega MAIO, dia das mães, o dia escolhido para os filhos lembrarem que tem mães. Nesse dia do ano, as mães ficam felizes, com a casa cheia de filhos a comer e beber e trazer-lhes presentes. Muita gente aproveita para casar nesse mês porque também comemoram o mês da “Mãe de Deus” – Maria. E dá sorte casar nesse mês (quem sabe assim dure para sempre). 

E chega JUNHO! Para desespero de quem está solteiro, o dia dos namorados se aproxima, agora é tempo de comprar presente para o amado ou amada, e quem não tem compra para si mesmo porque o importante é participar disso tudo. Festas juninas emendam a seguir, quem gosta de dançar vai entrar em alguma apresentação folclórica e quem gosta de ver vai para os arraiais assistir, e muita cerveja e cachaça a regar tudo, mesmo sendo festa de santo, ninguém se importa, o importante é aproveitar. Além disso, de quatro em quatro anos, tem copa do mundo para alegria de todos os que vivem do futebol, que ficarão mais ricos com o fanatismo de muitos.

JULHO é o mês das férias, crianças em casa, tem que se gastar com entretenimento. Para as pestinhas ficarem quietas, jogos eletrônicos e TV servem de babá eletrônica, enquanto os pais bebem com os amigos. Algumas vezes vão ao shopping para se entreterem com as comidas de plástico, brinquedos eletrônicos e outras coisitas mais que os homens inventam para outros homens gastarem seu tempo e dinheiro. 

E lá vem AGOSTO, dia dos pais chegando. Vão todos comprar presentes para seus pais e fazer o papel de filhos bonzinhos nesse dia. 

SETEMBRO, semana da pátria, tempo de ver os desfiles, e fingir ser patriota, cantar o hino nacional (que quase ninguém sabe a letra).

OUTUBRO CHEGOU, Dia das Crianças, tempo de ter mais dinheiro para gastar com os filhos, dia da Padroeira (mais procissões, promessas e missas por todo lado) e de quatro em quatro anos, eleição. Políticos lobos se disfarçam de cordeirinhos para conseguirem votos, prometem mundos e fundos e compram uns tantos amigos e colaboradores em troca de favores, empregos e cargos pra seus parentes, amigos e agregados. E muito dinheiro pelo ralo se vai. Mas enquanto não votamos, mantemos nosso prestígio, e assim teremos sempre alguém fazendo boca de urna, sendo gentil e nos fazendo sentir importantes. Se quisermos ser importantes o dia inteiro, melhor votar só no fim do dia.

NOVEMBRO já é tempo de preparação para o Natal, as lojas investem na decoração e promoções e chega DEZEMBRO para continuar o ciclo. Lembrando que ao longo do ano, muitos aniversários e datas comemorativas surgem para gastarem mais ainda. No último dia do ano, tempo de todo mundo olhar para trás e se prometer ser melhor no ano seguinte. Tudo começa novamente, e todo mundo perde a vida tentando ganhá-la, gastando naquilo que não é pão, esquecendo quem são e qual o sentido da Vida. “E vivem na pobreza, e são a pobreza”, como Jesus já nos alertava.

Viemos ao mundo sozinhos, e voltaremos para o túmulo sozinhos. Onde estarão todos aqueles que uniram suas solidões às nossas? Será que viemos ao mundo para sermos escravos de nós mesmos e dos outros? Fica essa reflexão como retrospectiva do que vivi por tantos anos também. Agora olho para o mundo e sua ilusão e tenho consciência de que estou nele, mas não sou dele.

* Esse é um texto de desabafo, qualquer semelhança, é mera coincidência.

Fonte: Facebook de Cleo Rolim