domingo, 20 de setembro de 2015

Indivíduo, cultura e doutrina

Por: Pr. Levi Costa

O mundo está cheio de moralistas fiscalizando os passos dos outros, observando aquilo que fazem, falam e gostam. Parece que querem, na verdade, padronizar o mundo a seu próprio estilo. Isso seria um caos à vida em sociedade. Somos INDIVÍDUOS, que o dicionário define como: 

1 - Qualquer ser concreto, que possui uma unidade de caracteres e forma um todo reconhecível;

2 - O que é indivisível em extensão;

3 - Organismo único, distinguível dos demais do grupo;

4 - Ser humano considerado isoladamente na comunidade de que faz parte; cidadão, etc. (Dic. Houaiss).

Portanto, temos nossa individualidade, não no sentido de viver só, isolado, mas em ser único como pessoa em nossa espécie, a humana. 

Do ponto de vista bíblico, o próprio Deus manifesta a Sua sabedoria e graça por meio de Sua Igreja de maneira MULTIFORME, (Ef 3.10; 1Pe 4.10), ou seja: com forma, aspecto e/ou estado diversos e numerosos, (Dic. Houaiss). Igreja aqui, não tem o sentido de denominação religiosa, mas como Corpo de Cristo no mundo. Uma igreja como organização local, tem o seu próprio padrão denominacional (Assembleia, Batista, Presbiteriana, etc.).

O que faz a diferença do ponto de vista ESPIRITUAL, não é o estilo, a aparência, ou o COSTUME, mas a real diferença se faz na DOUTRINA BÍBLICA.

A Bíblia apresenta os grupos étnicos da terra em quatro diferentes termos, ou seja: "nações, tribos, povos e línguas...”. (Ap 17.9a).

• Nação – Povo de um território politicamente organizado sob um governo central;


• Tribo – Grupo étnico unido pela língua, usos e tradições, que vive em comunidade sob um ou mais líderes. É o caso dos indígenas.

• Povos – Significa um grupo grande ou pequeno de pessoas que se identificam culturalmente, pode viver perto de outro povo dentro de uma mesma nação e ainda assim não apresentar características de tribo. 

• Línguas – Código linguístico, grupo de palavras e expressões. Forma verbal de comunicação. 

No caso do missionário intercultural, ele precisa aprender a superar as barreiras das diferenças culturais, caso contrário entrará em choque cultural pelo desconhecimento da língua, das instituições, dos costumes, dos valores, das crenças e da cosmovisão do povo da cultura alvo. Cada povo tem seu próprio padrão de cultura. A tarefa do missionário não é alterar ou mudar os valores de uma cultura, substituindo-os por outros de sua própria cultura. 

Não podemos nos deixar levar pelo etnocentrismo, a tendência de ver a nossa cultura como a maneira universal de comportamento, acreditando que a nosso cultura é o padrão da verdade. Trata-se de uma atitude discriminatória e preconceituosa. Não existe grupos superiores ou inferiores, existe grupos diferentes. 

Qual seria então o parâmetro para nos guiar na questão do contexto cultural? É preciso avaliar três princípios:

1 - O que é bíblico: A doutrina é imutável e tem caráter universal; 

2 - O que é extrabíblico: Não está na Bíblia, mas não a contraria. O costume é local; 

3 - O que é antibíblico: Deturpa a Palavra e colide com a fé cristã.

O nosso compromisso é com os princípios bíblicos. Estes, sim, podem exercer influência e alterar situações contrárias à fé cristã, que serão resolvidos no próprio contexto cultural sem que seja necessário impor ou adaptar “modelos” de outros contextos culturais.