terça-feira, 27 de outubro de 2015

A razão de ser da nossa fé e o culto a Deus

Por Pr. Levi Costa 

O dicionário Houaiss da língua portuguesa define razão como: 

1 - Faculdade de raciocinar, apreender, compreender, ponderar, julgar; a inteligência; 
2 - Raciocínio que conduz à indução ou dedução de algo; 
3 - Capacidade de avaliar com correção, com discernimento; bom senso, juízo. 

Sem a faculdade da razão e do entendimento, não é possível chegarmos a nenhuma conclusão objetiva das coisas que estão acontecendo ao nosso redor e diante de nós. Quanto à prática da vida cristã, podemos dizer que a nossa esperança provém da FÉ em Deus, a qual aprendemos e apreendemos através da Sua Palavra. Essa fé, não é uma fé cega, ela tem uma RAZÃO de ser. É isso que nos diz o apóstolo Pedro:"Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós" (1 Pe 3.15) 

Quando ao homem faltar a razão das coisas, a confusão será seu produto final, por faltar-lhe também o devido entendimento que é proveniente da faculdade de raciocinar e apreender para poder compreender e ponderar sendo ele então capaz de julgar com inteligência os fatos pertinentes às questões e situações em que se acha envolvido no momento. 

Quanto ao culto que prestamos ao nosso Deus (o culto cristão), é ele um culto RACIONAL. Como disse Paulo: "Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" - (Rm 12.1). 

No culto a Deus, tudo deve acontecer decentemente e dentro da devida ordem das coisas pertinentes ao culto prestado. Para tanto, se faz necessário a capacidade para avaliar com correção, com discernimento, bom senso e com o devido juízo o contexto desse culto. É o caso do exercício dos dons espirituais, principalmente os dons de línguas e da profecia, conforme as instruções de Paulo à igreja de Corinto, ele diz: “Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação. O que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja" (1 Co 14.3,4). 

A finalidade da profecia é, portanto, a edificação, a exortação e a consolação. Mas, como será possível haver tal resultado na vida da igreja por meio da profecia se não houver a devida ordem nesse culto? Não havendo razão de ser da manifestação dos dons na realização do culto, esse não será um culto racional, como Paulo exorta ao dizer: 

“Assim também vós, se com a língua não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz? porque estareis como que falando ao ar. Todavia eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida. Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento” (1 Co 14.9,19,20). 

Paulo passa a apresentar a solução para se evitar a desordem no culto e para que haja o devido aproveitamento para a vida da igreja, ele orienta: 

“Que fareis pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus. E falem dois ou três profetas, e os outros julguem. Mas, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro. Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros; para que todos aprendam, e todos sejam consolados” (1 Co 14.26-31). 

A ordem apresentada por Paulo aos coríntios quanto ao exercício dos dons (línguas e profecia), no transcorrer do culto, é que sejam dois, ou quando muito três, e todos os demais presentes ao culto, no caso da profecia, julguem. Tal julgamento só será possível se houver o devido entendimento daquilo que for falado em profecia. Entenda, não se trata de julgar aquele que profetiza, mas o que está sendo profetizado. Para que haja um julgamento justo e coerente a orientação é: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (Jo 7.24). O parâmetro para esse julgamento é a própria Palavra de Deus, pois não devemos ir além do que está escrito (1 Co 4.6).

O apóstolo Paulo conclui a questão aconselhando a igreja do Senhor, assim:“Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar, e não proibais falar línguas. Mas faça-se tudo decentemente e com ordem” (1 Co 14.39,40). 

O porquê de toda essa questão é que, como Paulo já havia dito: "Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos" (1 Co 14.33). Confusão aqui, é o mesmo que desordem, bagunça.

Portanto, digo: Quando a fé é empregada de acordo com a sua razão de ser, ela terá como resultado um culto racional em sua essência e natureza para a glória de Deus e para a edificação do Corpo de Cristo, a Igreja. Amém!