quinta-feira, 1 de outubro de 2015

*O Sábado de Israel e o Domingo da Igreja


O cristianismo teve origem no contexto judaico e deste recebeu uma rica herança. Mas o cristianismo não judaizou o mundo, o que seria uma ameaça à liberdade cristã e o perigo de o cristianismo tornar-se mera seita judaica. Os judaizantes alteram o cerne do evangelho, quando colocam a lei como complemento da obra de Jesus no Calvário. 

Cristo nasceu "conforme a lei" (Gl 4.4), cresceu e viveu dentro da cultura judaica (Lc 2.40-43). Durante o seu ministério, reconheceu as Escrituras Hebraicas e a autoridade de Moisés (Mc 7.13; Lc 5.14). Mas, não pregou costumes judaicos; e seus apóstolos não judaizaram o mundo.

O apóstolo Paulo, discursando no Areópago, não deu uma aula sobre o judaísmo, segundo o Antigo Testamento, sua preocupação era pregar a principal mensagem do cristianismo: a ressurreição de Jesus (At 17.31).

Jesus é Senhor do Sábado - (Lc 6.5)

Os Fariseus e mestres da Lei inseriram na Lei de Deus 613 regras. Sendo 248 mandamentos e 365 proibições. Escoravam essas regras com 1521 emendas. Para não macular o sábado excluíram 39 atividades que podiam ser chamadas trabalho.

Jesus chamou a Si mesmo Senhor do Sábado, quando estava defendendo Seus discípulos da acusação de terem quebrado o Sábado. Ele dá algumas ilustrações para mostrar que o Sábado devia ser servo do homem, não o homem servo do sábado:

Jesus era contra a rígida interpretação dos fariseus, que queriam pôr a guarda do Sábado acima de qualquer outra coisa. Mas, era uma lei cerimonial só para Israel. O sábado era sombra de Cristo, descanso para a alma - Mt 11.28, 29; Hb 4.9.

Com a vinda de Cristo o sábado passou como o dia mais importante da semana, bem como todas as outras cerimônias do judaísmo. O Sábado judaico cedeu lugar a outro dia mais importante ainda – Os 2.11; Mt 28.1; 

Reconhecendo o fim da vigência do sábado para os cristãos, Paulo escreveu: “Ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombras das coisas futuras; mas o corpo é de Cristo” – (Cl 2.16).

A Lei Cerimonial

Lei cerimonial é aquela que impõe e disciplina as cerimônias e rituais do culto judaico, como a circuncisão, a páscoa, o pentecostes, as primícias, as luas novas e o sábado.

Tais mandamentos tinham uma vigência temporária, pois essa lei de caráter transitório apresentava os tipos, sombras e figuras que se cumpririam na pessoa, nos atos e nos ensinos de Jesus - 1 Co 10.11; Hb 10.1.

Os mandamentos cerimoniais são obrigatórios apenas para o culto judaico. Sempre estão acompanhados das expressões: aliança perpétua, sinal perpétuo, mandamento perpétuo, estatuto, ou concerto perpétuo, entre mim e vós, (Deus e o povo de Israel), nas vossas gerações. Veja os casos abaixo:

a) Circuncisão - (Gn 17.11-13);
b) Festas judaicas - (Lv 23.19,31; 1 Cr 23:31);
c) A guarda do sábado - (Êx 31.13,16; Dt 5.15).

A lei do sábado era diferente dos demais mandamentos por ser uma lei cerimonial, enquanto os outros eram princípios morais. A única razão que tornava errado trabalhar no sábado era porque Deus assim o disse. Os outros mandamentos tinham a ver com coisas que eram realmente erradas a qualquer pessoa.

Os mandamentos morais não podem servir como sinal entre Deus e os judeus, ou qualquer outro povo. São deveres de qualquer pessoa, em qualquer lugar ou época. 

O Sábado é um sinal identificador do povo de Israel.

Deus descansou no sétimo dia, após seis dias de criação (Gn 2.2), mas não ordenou que o homem guardasse o sábado naquele tempo, embora tenha estabelecido o princípio a ser seguido: um dia de descanso em cada sete. 

A palavra sábado no hebraico significa: dar pausa, cessar, descansar. Foi, portanto, a necessidade física dos homens e dos animais e não uma carência espiritual de Deus ou dos homens que inicialmente ocasionou a instituição do sábado – Êx 23.12; Dt 5.14 

Já no Monte Sinai foi firmado um pacto entre Deus e Israel. Selando esse concerto foi entregue as tábuas da lei, os Dez Mandamentos. Agora Deus relaciona o repouso semanal, com a libertação de Israel do jugo do Egito - Êx 31.13,18 

Israel deveria lembrar; a cada sábado, que foi Deus Jeová quem os libertou da escravidão e lhes restabeleceu o dia de descanso que eles não tinham no Egito, e não o bezerro de ouro de Arão, como alguns israelitas diziam - Êx 32.8-14

O sábado tornou-se, a partir desse evento, um dia festivo nacional, um sinal entre Israel e seu Deus Libertador! Para os judeus, portanto, o dia de descanso, o sábado, tem de ser o sétimo dia da semana.

*Com consultas ao livro: O Sábado Judaico e o Domingo Cristão (Projecto Editorial), de Edmar Barcellos.