segunda-feira, 30 de novembro de 2015

A visão missionária do apóstolo Paulo


Por Pr. Levi Costa 

O apóstolo Paulo foi o maior missionário da história do cristianismo. É impossível falar de missões sem levar em consideração a sua vida e a sua obra. O chamado de Paulo foi completo, pois foi enviado perante autoridades religiosas, civis e militares, perante ricos e pobres, ignorantes e intelectuais, gentios e israelitas (At 9.15). 

É provável que ele tenha sido o missionário que mais produziu para o Reino de Deus no mais curto espaço de tempo, abrangendo a maior área de ação e com pouco recurso disponível. Lembrado também que naquele tempo Paulo não contava com os meios de transporte e de comunicação que temos hoje. 

A visão transcultural do apóstolo Paulo

O prefixo trans deriva-se do latim e significa: “movimento para além de”, “através de”. Assim, missões transculturais é transpor uma cultura para levar a mensagem universal do Evangelho a todos os quadrantes da terra. O ministério de Paulo cobriu várias regiões entre Jerusalém e o Ilírico (uma zona na costa do Mar Adriático, a norte da Macedônia), foi um alcance impressionante (Rm 15.19). 

Na sua segunda carta aos coríntios no capítulo 10 versículo 16, Paulo diz: “a fim de anunciar o evangelho para além das vossas fronteiras, sem com isto nos gloriarmos de coisas já realizadas em campo alheio.” (RA). Ele procurava pregar o evangelho nos lugares onde ainda não havia um trabalho em andamento, pois considerava o missionário como um lançador de fundamentos, de maneira que, pregar onde já havia um trabalho, significa edificar sobre trabalho de outrem. 

Num tempo de grandes dificuldades e perseguições, Paulo estava resoluto em anunciar o Evangelho até aos confins da terra. A Espanha era para Paulo o “seu” confins da terra, a última fronteira de sua vida terrena. Após a Espanha só havia o oceano, pois a América ainda era desconhecida (Rm 15.20,21, 24, 28).

O apóstolo Paulo nos deu o maior exemplo transcultural, ele se fazia romano para ganhar os romanos, se fazia grego para ganhar os gregos e assim sucessivamente (1 Co 9.22).

As viagens missionárias de Paulo

a) A primeira viagem missionária de Paulo

A igreja de Antioquia foi a primeira a fazer missões transculturais. Barnabé foi o companheiro de Paulo na sua primeira viagem missionária, conforme a orientação do Espírito Santo à igreja (At 13.2). O objetivo deles era estabelecer igrejas nesses lugares. Começaram em Chipre; em seguida foram a Perge e Panfília, prosseguindo direto para Antioquia da Psídia e Galácia do Sul. A primeira viagem missionária durou cerca de dois anos (entre 46 e 48 d.C).

b) A segunda viagem missionária de Paulo

Na segunda viagem, Silas foi companheiro de Paulo. O objetivo era visitar as igrejas fundadas por Paulo e Barnabé na primeira viagem, e fundar novos trabalhos. A intenção dos missionários era ir para a Ásia, mas impedidos pelo Espírito Santo rumaram para a Europa (At 16.6,7). As cidades europeias em que fundaram igrejas foram: Filipos, Tessalônica, Beréia, Atenas e Corinto. Essa viagem durou três anos (ente 49 a 52 d.C).

c) A terceira viagem missionária de Paulo

A terceira viagem de Paulo foi mais longa. Seu propósito era confirmar e fortalecer os discípulos (At 18.22,23). Partiu de Antioquia a Galácia e Frígia. Permaneceu um bom tempo em Éfeso, passando pela Macedônia. Prega em Trôade, passa por Tiro, Cesareia e chega a Jerusalém. A viagem durou cerca de quatro anos (entre 53 e 57 d.C).

d) A viagem para Roma

Após ser salvo de um complô, Paulo é resgatado para Cesareia como prisioneiro, onde apresenta sua defesa perante os governadores Félix e Festo e o rei Agripa, quando, então, apela para César e é enviado para Roma (At 25.11; 26.32). 

Na viagem para Roma, seguiu em um navio com mais 276 pessoas, e o apóstolo não perdeu a oportunidade de evangelizar os demais presos e a tripulação do navio. Sofre um naufrágio e permanece por três meses na ilha de Malta, evangeliza o povo do lugar ganha o chefe da ilha para Jesus e funda ali uma igreja. Depois embarca para Roma, onde chegaria em 62 d.C. (Atos capítulos 27 e 28).

e) Paulo em Roma e sua última viagem missionária

Em Roma Paulo esteve preso por cerca de dois anos. Em quanto aguardava a audiência com Nero, Paulo recebia os irmão em sua casa que alugara (At 28.30). Escreve as cartas aos Efésios, Filipenses, Colossenses, Gálatas, Romanos e Filemom. Seu caso foi examinado e Paulo foi absolvido. Nos três ou quatro anos que esteve em liberdade, empreendeu sua quarta e última viagem missionária, chegou até a ilha de Greta e esteve em Nicápoles. 

A tradição afirma que em Nicápoles Paulo foi preso e levado de volta para Roma, sendo ali martirizado no ano 68 d.C. Paulo se converteu por volta do ano 35 d.C, portanto, teve 33 anos de ministério. Nas suas viagens missionárias ele ultrapassou os limites das terras bíblicas que se encontram na janela 10/40. Se a igreja tivesse levado avante a visão do apóstolo Paulo, o Evangelho já teria alcançado todos os povos da terra.

"Se a igreja tivesse levado avante a visão do apóstolo Paulo, o Evangelho já teria alcançado todos os povos da terra".