domingo, 8 de novembro de 2015

Dualismo, o sagrado e o profano

O dualismo é um conceito religioso/teológico e filosófico que admite a coexistência de dois princípios necessários, de duas posições ou de duas realidades contrárias entre si, como o espírito e matéria, o corpo e a alma, o bem e o mal, e que estejam um e outro em eterno conflito. 

Dualismo filosófico, é a concepção de mundo é baseada na presença de dois princípios ou duas substâncias ou duas realidades opostas, irredutíveis entre si, dois princípios ou realidades não subordináveis e irredutíveis entre si.

O monismo, é a doutrina que defende ser tudo proveniente de uma única substância. Os monistas chegam a crer que até mesmo o dualismo pode ser incluído em um princípio único, que constituiria a realidade em sua essência. Assim, o monismo é uma concepção em oposição ao dualismo.

Dualismo teológico, o conceito de dualismo supõe que existam duas entidades separadas e iguais: bem e mal, que são igualmente poderosas. Deus a entidade do bem e o Diabo a entidade do mal. Mas há um problema nessa definição, é que, apesar de Satanás ter poder, ele não se compara com o Deus Poderoso, pois ele foi criado por Deus na forma de um anjo antes de ter caído do céu por causa de sua rebelião (Is 14.12-15; Ez 28.13-17). 

Assim, de acordo com a Palavra de Deus, não há nenhum dualismo, ou duas forças opostas de igual poder chamadas de Bem e Mal. O Bem, representado por Deus, é a força mais poderosa do universo, não há outro. O Mal, representado por Satanás, é uma força inferior que não se compara com o Bem. Deus, o bem, é todo poderoso, enquanto que o Mal, Satanás, não é todo poderoso, e ele será, no final, aniquilado para sempre (Rm 16.20). Satanás não é, e nunca será, igual a Deus.

O dualismo surgiu do pensamento filosófico. Mas, independentemente do que os filósofos digam, o dualismo não pode existir em nenhum lugar do universo, pois, de acordo com a Bíblia, há apenas um Ser Onipotente, Deus. Qualquer doutrina dualista que defenda a existência de dois poderes iguais (o bem e mal) que se opõem igualmente entre si, não é bíblica, é doutrina falsa. 

O dualismo entre o sagrado e o profano 

O fenômeno religioso divide-se em duas partes: o sagrado e o profano, prevalecendo uma visão dualista, onde um se opõe ao outro. Nessa linha de pensamento, Émile Durkheim em seus estudos sobre a religião observa que “existe religião tão logo o sagrado se distingue do profano”. Nesse sentido, considera-se sagrado tudo aquilo que está ligado à religião, magia, mitos, crenças. Em qualquer tipo de religião, a concepção do sagrado se manifesta sempre como uma realidade diferente das naturais, remetendo ao extraordinário, ao anormal, ao transcendental, ao metafísico. Quando o processo é tratado como um fato natural, biológico, normal, estamos no campo do profano, de tudo aquilo que não é sagrado.

Profano é aquilo que atribuímos como o sinônimo de mundano, cotidiano ou rotineiro. Sagrado e o que pertence a Deus (ou deuses). Profano pertence ao mundo. O homem religioso, para entrar em contato com o divino, retalha a vida no mundo profano – gestos, pessoas, espaços e tempos. O sagrado, de fato, é uma estrutura essencial da religiosidade, do momento em que a experiência humana de Deus é necessariamente mediada, ou seja, forçada a passar por qualquer coisa que não seja de Deus.

O sagrado pode incorrer em um gravíssimo perigo (que a Bíblia conhece), aquele de separar o culto da vida, introduzindo na relação com Deus e com o mundo uma espécie de dualismo, porém sabemos que: ““Do Senhor é a terra e a sua PLENITUDE, o mundo e os que nele habitam”. Portanto, o sagrado está relacionado com o divino: um objeto sagrado não é um objeto divino mas um objeto que permite a ligação com o divino. Estando associado à divindade, reflete os sentimentos que a própria divindade evoca.

Fiquemos com o que disse Paulo: 

Examinai tudo. Retende o bem - 1 Ts 5.21);
Pois há muitas vozes no mundo- (1 Co 14.10).