quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O religioso e o profano, o sacro e o mundano



A arte profana versus a arte religiosa.

Por arte profana, entenda-se as manifestações artísticas não vinculadas à valores religiosos. Pode abranger diversas expressões artísticas tais como a literatura, a pintura, a escultura, a dramaturgia, a música, a dança, dentre outros. Geralmente, desenvolve-se em ambientes seculares. 

A arte profana visa dá expressão aos sentimentos, sensações, valores e senso estético das pessoas envolvidas, num contexto secular. Considera-se as questões do mundo material de forma objetiva ou subjetiva, sem fazer menção às possíveis intervenções sobrenaturais. É tida como uma arte antropocêntrica, o qual o ser humano está no centro das atenções e discussões.

A arte religiosa, ao contrário, põe o ser humano num papel secundário, geralmente submisso a sua crença religiosa. A arte passa a ser uma expressão de louvor e adoração a uma divindade e, por vezes, à própria religião em si.

A música sacra versus a música mundana

Os pesquisadores divergem a respeito do que seja realmente a música sacra. Geralmente ela é conceituada como musicalidade não profana, criada para animar os sentimentos humanos da natureza do sagrado e da espiritualidade. Em resumo, música sacra é somente aquela que não é profana.

O uso desse termo foi registrado pela primeira vez na Era Medieval, quando se concluiu que era necessário elaborar uma teoria musical específica para as canções executadas nas missas e na adoração a Deus. Sua expressão mais remota é o canto gregoriano, gênero musical de cunho vocal, composto por uma única melodia.

Pode ser compreendida em sentido mais limitado, denotando a música de natureza erudita inerente à tradição judaico-cristã. Ou ser percebida em seu significado mais amplo, referindo-se a toda música executada nas cerimônias de toda e qualquer religião. Vale lembrar que uma canção ser composta por um autor religioso não a transforma necessariamente em uma música sacra. Assim sendo, embora toda musicalidade sacra seja de teor espiritual, nem toda composição religiosa é uma canção sacra.

Segundo Parcival Módolo diz: “Nesse caso, porém o conceito de Música Sacra terá que ser adaptado a cada cultura: ela será diferente da música secular de um povo”.

Parcival cita a música trazida ao Brasil pelos missionários norte americanos no século XIX. “Alguns daqueles hinos eram canções folclóricas do seu país – profanas, portanto- e com texto adaptado.” Essas músicas foram aceitas sem restrições como sacra pelo povo brasileiro visto que era um tipo de música diferente do que eles vivenciavam na época.

Foi difícil para as igrejas evangélicas brasileiras aceitarem, em seus cultos, instrumentos como o violão, guitarras e baterias, e até o piano. A razão disso era o que estes instrumentos evocavam, em relação ao profano, conforme a sua época. Por exemplo: o piano, nas décadas de 50 e 60 estava associado aos clubes e bares. O violão, nas décadas de 60 e 70, estava associado à música boemia. Guitarras e baterias, mais recentemente, são associadas com a música, postura e ideologia secular, profana portanto, havendo resistências para serem aceitas nos cultos religiosos.

Na atualidade, quanto aos instrumentos de orquestra isso já é mais difícil de acontecer, visto que estes tendem a ser mais associados à sua elegância, exuberância e solenidade. Assim, termina sendo uma questão de interpretação e questão de gosto apenas.

Fiquemos com o que disse Paulo:

Examinai tudo. Retende o bem - 1 Ts 5.21);
Pois há muitas vozes no mundo - (1 Co 14.10).