quarta-feira, 8 de junho de 2016

Cinco pães e dois peixinhos, a palavra e a música no contexto do culto

"E, sendo chegada a tarde, os seus discípulos aproximaram-se dele, dizendo: O lugar é deserto, e a hora é já avançada; despede a multidão, para que vão pelas aldeias, e comprem comida para si.
Jesus, porém, lhes disse: Não é mister que vão; dai-lhes vós de comer. 
Então eles lhe disseram: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes. E ele disse: Trazei-os aqui. 
E, tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a erva, tomou os cinco pães e os dois peixes, e, erguendo os olhos ao céu, os abençoou, e, partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos à multidão. 
E comeram todos, e saciaram-se; e levantaram dos pedaços, que sobejaram, doze alcofas cheias. 
E os que comeram foram quase cinco mil homens, além das mulheres e crianças." (Mt 14.15-21).

Por Pr. Levi Costa

O texto acima, relata o episódio da multiplicação dos pães. O Senhor Jesus multiplicou cinco (5) pães e dois (2) peixinhos para alimentar uma multidão faminta. Usando da tipologia, podemos dizer que aqueles 5 pães representam a PALAVRA, os 2 peixinhos representam a MÚSICA (louvor). Posto assim, concluímos que a música, no contexto da igreja e do culto ao Senhor, não pode ser excluída nem menosprezada. Como diz o hinário de Israel, o livro dos Salmos: 

"Bom é louvar ao SENHOR, e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo." (Sl 92.1);
"Apresentemo-nos ante a sua face com louvores, e celebremo-lo com salmos." (Sl 95.2);
"Celebrai com júbilo ao SENHOR, todas as terras. Servi ao Senhor com alegria; e entrai diante dele com canto." (Sl 100.1,2); 
"Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo" (Sl 33.3)

Ou ainda como encontramos no livro de Amós: "Que cantam ao som da viola, e inventam para si instrumentos musicais, assim como Davi" (Amós 6.5).

Porém, a Palavra de Deus não pode ser preterida a segundo plano por qualquer outra atividade ou apresentação no contexto do culto, inclusive em relação à música. A Palavra deve sempre ultrapassar a música em quantidade, haja vista terem sido 5 pães e 2 peixinhos para alimentar a multidão, e não o contrário. Se quisermos transformar (para o contexto do culto), os 5 pães em 50 minutos de pregação da Palavra, teremos, então, 20 minutos para o momento da música, do louvor no culto. Essa proporção é mais que viável e equilibrada para alimentar os espiritualmente famintos que comparecem às reuniões da igreja. Inverter essa coerente ordem, na devida proporção do tempo, é alimentar mais a alma (emoções/sentimentos), e menos o espírito (fé/convicção). Mantendo as proporções devemos ter no culto o louvor da música, no seu devido tempo, geralmente em primeiro lugar, e a espada da palavra, no seu tempo apropriado, geralmente depois dos cânticos, como diz o salmo 149 versículo 6: "Estejam na sua garganta os altos louvores de Deus, e espada de dois fios nas suas mãos".

Não estou afirmando aqui, que a música seja desnecessária (como expliquei anteriormente), estou dizendo apenas o que a própria palavra já diz, ou seja: "Que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus." (Rm 10.17), o ouvir a palavra de Deus traz ao ouvinte a convicção de pecado gerando nele o necessário arrependimento para a salvação. Alguém pode indagar: "Mas a música/louvor também não pode fazer isso?" Sim, pode! Mas essa não é a ordem a ser seguida, pois seria trocar a regra pela exceção, no primeiro caso (na música), pode acontecer, no segundo caso (na palavra), pode e deve acontecer! 

Complementando esse raciocínio, faço uso aqui de um comentário (na íntegra), do pastor Ciro Sanches Zibordi​ que ele colocou em seu face, com o qual eu concordo plenamente, disse o pastor Ciro:

"Atos dos Apóstolos começa com a menção de que Jesus, ao andar na terra, ensinou (1.1). E termina com a informação de que Paulo, preso em Roma, estava "ensinando com toda a liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum" (28.31). Ou seja, o livro que nos apresenta a conduta e a postura dos cristãos da igreja nascente — da qual deveríamos ser imitadores — começa e termina dando ênfase ao ensino da Palavra de Deus. Apesar disso, ainda há líderes evangélicos, em nossos dias, que menosprezam o ensino bíblico e priorizam a música, as danças e o entretenimento! Você sabia que o Senhor Jesus, ao andar na terra, embora tenha cantado, dedicou dois terços do seu ministério à exposição da Palavra? 
(Por: Ciro Sanches Zibordi).

Diante do exposto, digo: é a espada do Espírito, a palavra de Deus, que, sendo viva e eficaz, pode penetrar até a divisão da alma e do espírito (não só da alma), das juntas e medulas, sendo apta para discernir os pensamentos e as intenções do coração do ser humano, ou seja, a palavra de Deus é capaz de penetrar a totalidade do nosso ser, o espírito, a alma e o corpo (Ef 6.18; Hb 4.12 e 1 Ts 5.23). 

A expressa ordem bíblica é: "Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina." (2 Tm 4.2).

Portanto, "PREGUES A PALAVRA!"