sexta-feira, 10 de junho de 2016

O quê e o porquê das coisas

 Por Pr. Levi Costa

Antes mesmos de emitir a primeira palavra articulada, a criança gesticula e se arrisca a balbuciar alguns sons. Os pais, principalmente a mãe, vão tentando traduzir aquilo que pode ser a intenção de seu filhinho. Com o passar dos anos, a criança cresce e aprende a pronunciar algumas poucas palavras e já não é mais tão limitada para se expressar. 

Nesse momento da vida, começam a assurgir as primeiras de muitas dúvidas resultantes da curiosidade que é própria de um ser racional como o humano. Contudo, as dúvidas nunca deixarão de existir, apenas serão substituídas ao serem entendidas dando lugar àquelas mais complexas e mais difícil de se explicar e de se entender. 

O homem é capaz de pensar, avaliar e argumentar, desde a mais tenha idade ele busca respostas para suas indagações na tentativa de entender a natureza das coisas e o próprio sentido da vida. Como um ser vivo a interagir o tempo todo com um mundo de coisas à sua volta, a criança fica encantada e ao mesmo tempo perturbada por ver tanta diversidade e não entender o quê são elas e como são.

Então, para que a vida faça sentido e para que se possa interagir com ela com entendimento, se faz necessário compreender como a vida funciona, o porquê dela ser como é. Assim, as duas principais palavras do vocabulário humano, desde o início da sua trajetória neste mundo, na busca de entendimento, são: O QUÊ e o PORQUÊ. 

É aqui que entra, inicialmente, a figura dos pais, aos quais a criança vive a perguntar: “o quê é isso?”, os pais procuram dar a resposta como podem, aí surge a segunda pergunta: “porque”? Então, mais uma vez, vem aquela resposta básica e é só o que se tem para o momento. Mas, nem sempre as perguntas dos infantes curiosos são respondidas, as vezes são até ignoradas, e assim a vida vai passando. Não é que os pais precisem ter uma resposta técnica elaborada para seus filhos. 

Com o passar do tempo, e no aguçar da curiosidade em entender o quê e o porquê das coisas, é que as respostas elaboradas foram surgindo e os homens puderam entender o sentido e o funcionamento de muitas coisas que antes eram desconhecidas, um verdadeiro mistério. Graças a essas pessoas que não se conformaram em simplesmente dizer: “as coisas são assim mesmo”, ou a mais simplória das respostas: “porque sim”. Não! As coisas têm um princípio regulador para serem como são e porque elas são exatamente como são. 

A essa altura do nosso argumento, figuras notáveis da história humana vão surgindo em nossa mente tais como: Copérnico, Galileu, Newton, Einstein, entre tantos outros. É claro que nem todos de nós tem que ser, necessariamente, como um desses gênios do saber humano, mas a história deles depõe contra o conformismo do argumento simplório do “porque sim”. Enfim, é importante saber O QUÊ, porém, o mais importante é saber O PORQUÊ de ser das coisas. 

Por exemplo, eu fiz dois cursos de Eletricidade, um pelo SENAI e o outro pela Escola Técnica de Brasília (não atuo na área, é só para uso particular e por eu gostar da matéria), os professores enfatizavam que muitos profissionais eletricistas realizam seus trabalhos sabendo O QUÊ fazer para funcionar adequadamente, mas muitos deles não sabem dizer O PORQUÊ de ser assim para funcionar, eles não conhecem os fundamentos das leis da eletricidade para chegar aos resultados esperados no serviço executado.

Assim é a vida também, ou seja, para tudo há um PORQUÊ que dá sentido ao QUÊ. Mas, poucos são aqueles que querem se desgastar na busca do porquê que as coisas são assim do jeito que são e não outra coisa diferente. Para chegar a uma conclusão racional e lógica, do sentido e funcionamento das coisas como as conhecemos hoje, muitos fizeram dessa busca uma missão de vida, empregaram suas vidas nessa missão, hoje desfrutamos dos resultados obtidos por eles. E assim caminha a humanidade, uns fazendo história e outros (a maioria), apenas contando a história daqueles que as fizeram. Uns sabem o quê, outros vão mais além e passam a saber o porquê das coisas.