segunda-feira, 18 de julho de 2016

A palavra falada e os diversos efeitos no ouvinte


Por: Pr. Levi Costa

Os pagãos acreditavam que a palavra não era um simples som, mas um ser, uma entidade em si mesma. Na crendice popular, o rogar praga, com a intenção de que haja determinado mal sobre outra pessoa, terá o mal desejado concretizado mediante a palavra falada. No conceito religioso, uma maldição se concretiza mediante o pronunciar de uma palavra da parte daquele que está em posição de autoridade sobre outra, causando-lhe males e danos, conforme desejado. 

Algumas pessoas admitem que uma palavra tem em si mesma potencialidade para “criar” tanto o bem como o mal. Sim, a palavra falada é capaz de efeitos diversos. Não que ela tenha qualquer poder mágico ou força mística, mas porque a palavra falada evoca imagens, conceitos, sentimentos e atitudes, como resultado daquilo que for falado. 

Comunicar é o ato de falar, parte de um agente emissor indo até o agente receptor. A palavra comunicada (emissor), tende a despertar em seu ouvinte (receptor), sentimentos tais como: cobiça, ira, desconfiança, tristeza, desânimo, etc. Além de induzir a erros. Há também, palavras que orientam, acalmam, consolam, animam, etc.

É no falar que conhecemos a maturidade de uma pessoa. Há pessoas que costumam falar sem refletir, que se pronunciam precipitadamente trazendo consequências danosas para si mesma e para aqueles que estão à sua volta. Quando a pessoa escolhe uma ação, ela escolhe as consequências que virão dessa mesma ação, é a causa e o efeito da escolha feita, ação e reação.

O ser humano é primeiro criado para depois ser formado. Essa formação se dá através do aprendizado mediante os costumes aprendido e apreendido no grupo no qual se está inserido. Na fase de aprendizagem, o exemplo dos pais em muito influencia o comportamento e atitude dos filhos. Como diz o ditado: “tal pai, tal filho”. 

A criança não sabe o que ela mesma é; não tem ela nenhuma consciência de si mesma como pessoa. Seus superiores, principalmente pai e mãe, dizem repetidamente algo da criança que ela passa a aceitar por ser isso o que pensam dela. A psicologia define essa aceitação como o “eu refletido”. Em vez de uma maldição sobre a criança, como consequência de palavras dirigidas a ela, o que há, na verdade, é o resultado da formação do seu caráter e o padrão da sua personalidade. 

À medida em que certos conceitos vão se definindo no entendimento da criança, ela agrega esses conceitos à sua formação pessoal. Assim, podemos dizer que em parte, e em certa medida, somos produto do meio no qual vivemos. Vamos agregando conceitos e valores à nossa formação pessoal em busca de definirmos quem somos no mundo, no que cremos e o que faremos da vida. Por fim, viver é a prática daquilo que definimos de nós mesmos como pessoa no mundo.