quarta-feira, 20 de julho de 2016

O verdadeiro amor, a verdadeira amizade



Por Pr. Levi Costa

São muitas as razões que levam uma pessoa a querer a nossa amizade. Num exemplo bíblico podemos analisar o caso de Noemi e suas duas noras, Rute e Orfa, ambas viúvas, assim com Noemi. 

Pois bem, sem entrar nos detalhes dessa história, quero apenas mostrar que no momento mais difícil da vida de Noemi uma mulher idosa, viúva e vivendo apenas com suas noras, também viúvas, disse Noemi para que estas voltassem e fossem embora pois não tinha ela mais nada a lhes oferecer, muito menos outros filhos para dar-lhes como esposo, portanto, o mais sensato seria que fossem embora e vivessem suas vidas. De imediato, Orfa a beijou e foi embora, mas Rute se apegou mais ainda a Noemi, mesmo que Noemi insistisse com Rute para que fizesse o mesmo que Orfa, Rute, por sua vez, recusou-se a deixá-la apesar da real situação em que se encontravam, pois ela estava disposta a ir com Noemi para onde quer que esta fosse e que até estava disposta a morrer ao seu lado, mas que não a deixaria. Noemi vendo a determinação de Rute não mais a questionou, então seguiram juntas a sua viagem rumo a Belém (Rt 1.11-19). 

Aí eu tiro as minhas conclusões dessa história, e me faço a seguinte pergunta: Qual a verdadeira razão de uma amizade? Seria ela pelo que eu tenho ou simplesmente pelo que eu sou como pessoa? Pois é isso que eu vejo no caso de Orfa e Rute em relação a Noemi, ou seja, enquanto os maridos estavam vivos, esse era o motivo que ligava Orfa a Noemi, sua sogra, mas, morrendo o marido, Orfa não via mais um real motivo para que ela pudesse continuar a viver com Noemi, uma mulher idosa, viúva e pobre, pois, certamente, só teriam sofrimento juntas, então pensou Orfa, o mais sensato a fazer é deixá-la e seguir o meu rumo para viver a minha vida onde e como eu quiser. Mas Rute foi diferente, esta, por sua vez, apenas quis permanecer com Noemi independente das circunstâncias e adversidades. Rute decide permanecer com a velha e pobre viúva Noemi, a quem ela de fato amava, não pelo que esta tinha a lhe oferecer, mas pelo que Noemi representava para a sua vida.

Fica evidente nessa história, que existe o falso e o verdadeiro amor que embasam uma amizade. O falso amor diz: "eu te amo porque preciso de você", o amor verdadeiro diz: "eu preciso de você porque eu te amo", no primeiro caso trata-se de um amor fingido e interesseiro, que visa apenas os benefícios que pode ter para si da parte daquele com quem convive, mas o verdadeiro amor não é interesseiro, não é fingido, apenas ama o outro pelo que o outro é e pelo que ele representa como pessoa, como escreveu Paulo aos romanos: “O amor seja não fingido, aborrecei o mal e apegai-vos ao bem” (Rm 12.9).

Essa é a realidade de muita gente que vive ao redor daqueles que tem posição, cargo e influência, pois estes, em nome de uma suposta amizade, podem beneficiar seus supostos amigos, os quais vivem hipocritamente a apresentar uma falsa amizade em nome de um falso amor ao outro. Como bem disse Paulo aos coríntios acerca da excelência do verdadeiro amor, que este: “Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal” (1 Co 13.5). Eu penso então que essa é uma das razões porque muitos líderes e pessoas de posição e destaque, embora rodeados de gente, vivem solitariamente, pois no fundo não conseguem ver verdadeiros amigos à sua volta, mas apenas pessoas concorrentes em busca de resultados que o maior entre eles possa lhes proporcionar.

Mas também digo, a aquele que ocupa um cargo e uma posição proeminente, deve ter sensibilidade e discernimento para saber e enxergar quem é quem nessa história, a exemplo de Noemi em relação a Orfa e Rute. Só assim é que será possível que os verdadeiros amigos sejam honrados, reconhecidos e recompensados em nome de seu verdadeiro amor pelo outro e pela causa, caso contrário, injustiças serão cometidas, quando aquele que não merece se beneficia de algo que não era para ele, mas para outro. Enquanto que um paga o preço ao qual não deveria pagar, o outro desfruta das benesses das quais não era digno. 

O causador de tal discrepância termina sendo aquele em posição de destaque, o líder sobre os demais. Portanto, termino dizendo que: quem comigo anda sorrindo, mas também chorando, é digno e merecedor da minha amizade e da minha atenção com relação ao que eu possa ser em sua vida tal qual ele é na minha vida, pois o verdadeiro amor gera verdadeira amizade.